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O Brasil tem uma grande parcela da população definida como “desbancarizada” pelos especialistas em finanças. Segundo estimativas de pesquisa do Instituto Locomotiva realizada em meados de 2019, o país tem aproximadamente 45 milhões de desbancarizados – aqueles que não têm acesso a serviços bancários ou de crédito. Segundo esse levantamento, o poder de movimentação desse grupo poderia chegar a R$ 800 bilhões por ano. Levando-se em conta que uma população bancarizada tem capacidade de alavancar a economia, um modelo aberto de acesso aos serviços bancários evita crises financeiras.

O movimento do open banking compartilha os dados bancários pessoais dos clientes que autorizam esse procedimento e permite uma variedade muito grande de parcerias das instituições tradicionais com as fintechs. Uma das conclusões do painel “Revolucionando os serviços financeiros através do open banking”, que reuniu especialistas do setor no Futurecom Digital Summit, é que esse movimento vai democratizar a bancarização no Brasil. O summit on-line antecipa os debates da 22ª edição do Futurecom, maior evento de tecnologia, telecomunicações e transformação digital da América Latina, que ocorrerá entre 27 e 29 de outubro, no São Paulo Expo, em São Paulo.

Moderado por Eduardo Neger, presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), o painel contou com participação de Tiago Aguiar, head de novas plataformas da Tecban; José Luiz Rodrigues, conselheiro da ABFintech; Leandro Vilain, diretor de políticas e negócios e operações da Febraban; Sergio Biagini, sócio-líder da indústria de financial services da Deloitte; e Ivo Mósca, superintendente de open banking & instant payments do Banco Itaú. Todos concordam que o open banking é positivo para o ecossistema financeiro e para o cidadão, principalmente. “O open banking promove ao cidadão o poder de suas informações, que terá o direito de agregar produtos e serviços que ele escolher à plataforma de seu banco”, explica Sergio Biagini, sócio-líder da indústria de financial services da Deloitte. Como hoje 60% das transações bancárias são digitais, de acordo com o executivo, adoção do modelo será muito acelerada no nosso mercado.

Há a convicção de que o open banking inaugura uma nova era. “Será tão transformacional quanto foi a internet nos anos 1990, só que com a velocidade da informação de hoje, que é muito mais rápida”, profetiza Leandro Vilain, diretor de políticas e negócios e operações da Febraban. A federação contabilizou 90 bilhões de transações em mobile e internet banking em 2019, o que demonstra o potencial do ecossistema bancário do país. Vilain destaca o desafio das instituições em se comunicar no Brasil de tantos regionalismos e liguagens diferentes. “Sairá na frente quem conseguir se comunicar de forma simples e clara com os clientes, pois o movimento vai propiciar muito mais competitividade e melhor experiência do consumidor.”

Além de Tiago Aguiar, head de novas plataformas da Tecban, que acredita que o open banking vai viabilizar serviços e produtos financeiros para quem ainda não tem acesso, José Luiz Rodrigues, conselheiro da ABFintech, afirma que a democratização dos serviços bancários não será benéfica somente para os clientes. “Todo sistema bancário tradicional trabalha em parceria, lado a lado, com as startups. Não existe exclusão. Estão todos muito bem colocados.” Aguiar e Rodrigues concordam com a afirmação de que o cliente deve estar no centro das atenções e o momento é de as instituições cruzarem seus interesses a favor dele.

Para Ivo Mósca, superintendente de open banking & instant payments do Banco Itaú, apesar da amplitude enorme de serviços a surgirem, ainda não há um modelo vencedor definido. Mas uma coisa é certa para ele: o modelo aberto vai transformar o serviço em “banking as a service” – banco como serviço. “Em meados de 2021 teremos essa nova realidade. A principal vantagem é a derrubada da barreira dos dados cadastrais e informações do cliente, que terá liberdade para abrir esses dados à instituição que ele quiser”, explica Mósca, com a convicção de que todos os envolvidos no sistema terão vantagens.

Segurança – Toda a transmissão de dados entre as instituições deve ser muito segura e os bancos estão focados nisso para evitar fraudes. Foi definido pelo Banco Central que só as instituições autorizadas e confiáveis terão acesso aos dados, o que já mitiga riscos. Mósca afirma que o cliente terá de autorizar em ambiente seguro o acesso aos seus dados para transações. “Importante definirmos como será a responsabilização das instituições pagadoras e recebedora; a Lei Geral de Proteçao de Dados (LGPD) já é um início desse processo.”

Como auxiliar aos sistemas de segurança, o blokchain é citado por Aguiar como um dos recursos de garantir transações entre fontes pagadoras. Segundo Vilain, “o sistema bancário quer o sucesso do open banking por ser um projeto que já teve investimento bem substancial”. Portanto, segurança da informação e a sustentabilidade do sistema a longo prazo são pontos que vêm sendo discutidos com o Banco Central há tempos.

Para conferir as próximas discussões do Futurecom Digital Summit, clique aqui. As próximas rodadas se estendem até 2 de julho. Organizado pela Informa Markets, o Digital Summit leva para seus debates a mesma qualidade dos conteúdos do encontro físico do Futurecom. São duas sessões diárias com acesso totalmente gratuito e veiculadas pelo site do Futurecom.

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