COMPARTIR:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Ao longo de 2020, a discussão sobre uma economia mais inclusiva financeiramente esteve no centro da conversa da Fintech, reforçada ainda mais pelo surgimento de possíveis soluções para este dilema, como, por exemplo, a utilização de dados alternativos para avaliar a solvência. Diante do atual panorama bancário, e da desestabilização que a pandemia trouxe, surge a possibilidade não só de transformar o mercado de crédito, mas também de trabalhar pela inclusão financeira em termos sociais.

O ecossistema financeiro da América Latina exclui um grande segmento da população que hoje não tem serviços bancários. Antes da Covid, 45,6% da população adulta da América Latina foi excluída do sistema financeiro, disse Ignacio Carballo, economista pesquisador e diretor do Programa de Ecossistema e Banco Digital Fintech da UCA. Esses clientes potenciais não têm o histórico de crédito estabelecido exigido pelos modelos tradicionais de pontuação de crédito e, portanto, são classificados como “de risco”. A pandemia destacou esta situação e ampliou o gap social existente.

Ver mais: A Pesquisa Global da Provenir revela os desafios que as PME enfrentam na obtenção de crédito

“Essa vulnerabilidade, infelizmente, se traduz em maiores taxas de execução hipotecária e acesso ao crédito”, diz Sebastián Olivera, fundador do Montevideo Fintech Forum e co-fundador do WeFintech. Até agora não há muitos dados sobre este segmento da população, mas a existência de uma população jovem ambiciosa que se inclina para o digital é apresentada como um mercado claramente visível, acrescentou Olivera.

Bancos e organizações Fintech buscam solucionar o problema da inclusão financeira oferecendo integração com novas ferramentas tecnológicas de Inteligência Artificial. O uso de dados alternativos para classificação de crédito como uma solução potencial apresenta uma grande oportunidade de crescimento principalmente para as empresas Fintech na região. Novos desenvolvimentos tecnológicos são ajustados para avaliar os níveis de risco dos produtos financeiros através da aplicação de plataformas de scoring alternativas que agora complementam o uso de metodologias tradicionais para garantir uma avaliação mais precisa.

O sistema financeiro está evoluindo rapidamente em direção ao progresso.

Em primeiro lugar, a pandemia acelerou a adoção de inovações tecnológicas que consolidam novas informações e podem ser aproveitadas para medidas alternativas de crédito. Ignacio Carballo confirmou que este ano, no Brasil, a criação do “Coronavaucher” atingiu 66 milhões de pessoas e estima-se que 26 milhões delas não tinham conta bancária. Ele também afirmou que o programa Solidário de Renda da Colômbia atingiu 1,5 milhão sem conta bancária e na Argentina estima-se que tenha atingido 3 milhões sem conta bancária com Renda Familiar Emergencial.

Em 2020, caminhamos para uma infraestrutura mais forte, como a criação de novos regulamentos e uma estrutura financeira mais confiável. Por exemplo, no México, a Lei Fintech emitiu sua primeira licença em janeiro de 2020, enquanto no Brasil uma estrutura legal já está sendo desenvolvida. “Podemos facilmente dizer que 2020 é um importante ponto de inflexão para a América Latina, ajudando a fortalecer os alicerces de uma revolução Fintech”, disse Bruno Diniz, assessor Fintech e autor do livro “O fenômeno Fintech”.

O que também experimentou uma tendência ascendente neste ano é a criação de novos players competitivos no sistema financeiro. Esse grande salto do setor financeiro tem gerado uma concorrência positiva que leva as instituições tradicionais a tomarem rápidas decisões tecnológicas para acompanhar a nova forma de trabalhar. Marcial González Fraga, Fintech Investor e Marcel Van Oost, consultor e fundador da Fintech Startup destacam que as abordagens de Big Data fornecem o conhecimento de que as empresas precisam para iterar e tomar decisões de classificação de crédito.

A colaboração entre empresas Fintech e participantes do setor financeiro permite o rápido aumento de novas propostas financeiras. CredoLab e Provenir estão trabalhando juntos para fornecer uma solução alternativa para melhorar o desenvolvimento financeiro em regiões onde o mercado ainda não foi explorado. O objetivo é oferecer aos tomadores de decisão novas ferramentas de avaliação de risco, por meio da pesquisa e análise de metadados obtidos em smartphones e da localização de potenciais clientes atualmente excluídos do sistema de financiamento bancário.

Outro triunfo de 2020 na região é o investimento de capital contínuo para entidades relacionadas à Fintech. De acordo com o Latam Fintech Hub, a América Latina arrecadou US $ 525 milhões e 74 negócios apenas no primeiro semestre do ano. Esse maior investimento resulta na expansão de novos negócios em diferentes segmentos. Como destaca Clementina Girlado, fundadora e CEO da Dots & Tech, o universo latino-americano da Fintech conta com mais de 2.000 empresas em diferentes graus de maturidade, desde pagamentos digitais e crédito digital até soluções de financiamento coletivo.

Hoje a LATAM é uma região desafiadora, mas, ao mesmo tempo, se apresenta como um cenário alternativo para o sistema financeiro. Marcial González Fraga e Marcel Van Oost destacam que na América Latina, o México em particular, se tornou um paraíso Fintech pela combinação de sua localização estratégica, acesso limitado a produtos financeiros e a grande dimensão de seu mercado interno.

Por fim, 2020 assistiu a um uso acelerado de dados alternativos para gerar um impacto social positivo para a criação de negócios sustentáveis. Graças a essas novas informações, mais pessoas estão ingressando no sistema financeiro criando seus próprios negócios e, assim, colaborando para o crescimento da economia.

Apesar da desestabilização do sistema financeiro causada pela pandemia, encontramos novos clientes com dados valiosos anteriormente ignorados. Este quadro torna-se uma oportunidade para 2021, uma forma de reanimar a economia e introduzir formas inovadoras antes impensáveis ​​de atingir o objetivo final, a inclusão financeira.

COMPARTIR:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

NO COMMENTS

DEJAR UN COMENTARIO